Revivendo o diálogo interamericano? As relações Estados Unidos-América Latina

Bruno Theodoro Luciano, KAS Fellow em Estudos Europeus no Centro de Relações Internacionais da FGV, sediado no CPDOC, participa de evento do Center for the Study of the Presidency and the Congress, think tank norte-americano durante os dias 19 e 25 de outubro, em Washington, D.C. O evento abordou discussões sobre política doméstica e política externa norte-americana. Sob a luz desse debate, o pesquisador Bruno Theodoro comenta sobre a política externa dos Estados Unidos e questões conjunturais das relações internacionais contemporâneas, tendo como foco a relação com a América Latina.

 

Existe uma política externa norte-americana definida para a América Latina? A América Latina é uma região estratégica para os Estados Unidos?

A América Latina tem deixado de ser estratégica para a política externa norte-americana nas últimas décadas. A Área de Livre Comércio entre as Américas (ALCA) talvez tenha sido a última iniciativa dos EUA de maior e mais amplo conteúdo quanto à aproximação com a região. A partir de então, os EUA têm buscado desenvolver diálogos e acordos bilaterais com países específicos (México, Colômbia), em áreas prioritárias, como comércio e combate ao narcotráfico.

Nesse sentido, a região não é uma prioridade para a política externa dos EUA, mais preocupada com as atuais dinâmicas do Oriente Médio e Ásia-Pacífico, as quais têm testado os limites da superpotência.

Como o fortalecimento de instituições regionais na América Latina pode afetar a condução da política externa pelos Estados Unidos?

Ao mesmo tempo em que os EUA têm evitado desenvolver políticas para a região, os países latino-americanos têm aumentado os laços de cooperação e integração através da construção de uma série de arranjos e regimes regionais, com conteúdos e ideologias diversas. Mesmo que os Estados Unidos não façam parte dessas novas iniciativas, o relacionamento do país com a região não deixa de ser levado em conta no desenvolvimento da integração, seja pela aproximação ou pelo afastamento. Alguns desses projetos, como a Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), têm na sua concepção aspectos marcadamente anti-hegemônicos e antiamericanos.

No caso da América do Sul, parece prevalecer a visão, por parte dos EUA, de que os próprios países da região, especialmente o Brasil, devem garantir o desenvolvimento e a estabilidade democrática regional, evitando os custos de qualquer ingerência norte-americana.

Frente à recente eleição presidencial brasileira, quais as perspectivas para a política norte-americana para a América Latina nesses 2 últimos anos do mandato do presidente Obama?

Os resultados das eleições de meio-termo dos Estados Unidos (que ocorrem no último dia 4 de novembro) e das eleições no Brasil indicam um cenário político doméstico difícil tanto para o Barack Obama quanto para Dilma Rousseff. O crescimento da oposição nos dois países torna mais desafiadora qualquer iniciativa de aprofundamento do diálogo entre os dois países, especialmente por parte dos EUA, no qual o Senado, órgão central para a condução da política externa norte-americana, passa a ser controlado pelos Republicanos. Para os próximos anos, deve se manter o cenário de inexistência de uma política estadunidense para a América Latina mais estruturada, haja vista a prevalência de outras prioridades domésticas e externas para esse país. 

 

Confira aqui os Pocket Talks anteriores:

A reeleição de Dilma Rousseff e o cenário da política externa brasileira

Regionalismo no contexto das eleições brasileiras

Por que a História é relevante para a Política Internacional? 

Editorial

Data: 
06/11/2014
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