A reeleição de Dilma Rousseff e o cenário da política externa brasileira

Em um dos mais disputados resultados eleitorais desde a redemocratização no Brasil, os brasileiros colocaram frente a frente dois candidatos de peso no cenário político brasileiro. A vitória de Dilma Rousseff traz muitos questionamentos e desafios. Para responder à algumas destas questões, convidamos o professor Matias Spektor, autor de 18 dias: quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush (Objetiva, 2014), Kissinger e o Brasil (Zahar, 2009) e Azeredo da Silveira: um depoimento (FGV, 2010). O professor Spektor escreve quinzenalmente para a Folha de São Paulo, sobre política externa brasileira e questões conjunturais das relações internacionais.

 

Qual o significado internacional da reeleição de Dilma?

É muito preciso: dá para você ter uma mudança acelerada na estrutura de classes de um país emergente sem que isso produza instabilidade política. Tivemos uma disputa com regras claras, lisura e hiper-competitiva. Isso nos coloca na companhia da Índia, e marca uma diferença clara entre nós e países como Turquia, Indonésia e China.

 

Quais os principais desafios externos do segundo mandato?

Tem um desafio imediato e muito concreto: decidir qual será o comportamento brasileiro nas eleições de 2015 na Argentina (que vão substituir o Kirchnerismo depois de mais de uma década no poder) e na Venezuela (testando a resiliência do chavismo no parlamento).

Ainda há um desafio mais geral: reverter a perda de posição que tivemos no sistema internacional nos últimos anos. Isso se deve ao fato de nossas principais apostas – integração sul-americana e reforma do sistema de comércio internacional – apresentarem dificuldades profundas. 

 

Haverá mudanças na condução da política externa?

Isso vai depender em alguma medida das personagens que devem incluir o núcleo duro do segundo mandato. Política externa no Brasil depende totalmente de quem dá o tom no Palácio do Planalto. E vai depender de como Dilma responderá ao fato de ter vencido com uma margem tão apertada: se isso demanda mais do mesmo ou se o cenário político – e a construção do caminho para 2018 – demandam uma guinada à esquerda  capaz de mobilizar a militância do PT e os movimentos sociais, dois grupos que este ano foram essenciais para sua vitória.

 

Confira aqui os Pocket Talks anteriores:

Regionalismo no contexto das eleições brasileiras

Por que a História é relevante para a Política Internacional? 

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