Por que a História é relevante para a Política Internacional?

Inaugurando a sessão Pocket Talks, temos uma entrevista com o coordenador do Centro de Relações Internacionais da FGV, Alexandre Moreli. O professor fala sobre a XI Conferência de Segurança Internacional “Forte de Copacabana”, que aconteceu no último dia 10 de Outubro no Rio e foi organizada pela Fundação Konrad Adenauer e pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais, com o apoio da Delegação da União Europeia para o Brasil. Nessa ocasião, o prof. Moreli participou do painel intitulado “100 Anos da Grande Guerra; 200 Anos do Congresso de Viena”, que contou com participação da pesquisadora Stella Ghervas, de Harvard, do professor Eiiti Sato, da UnB, e foi moderado pelo coordenador de Estudos em Política Externa e Segurança da Fundação Konrad Adenauer, Patrick Keller.

 

Pergunta: Sendo a Conferência do Forte um evento que tem debatido principalmente temas contemporâneos da agenda de segurança internacional, qual sua opinião sobre a mesa histórica prevista este ano?

Resposta: Eu penso que foi uma iniciativa interessante da organização na sua busca por uma compreensão mais profunda dos problemas que figuram na agenda internacional hoje. Eu acredito que foi particularmente interessante para entender a extensão das grandes estruturas que influenciam as relações internacionais, permitindo um debate mais denso sobre soluções que podem permitir, aos tomadores de decisão, melhores resultados no terreno.

Pergunta: Se fosse possível dar um grande exemplo, qual seria o impacto da Primeira Guerra Mundial e do Congresso de Viena na atualidade?

Resposta: O congresso de Viena foi bastante lembrado durante os debates para se entender melhor os desequilíbrios de poder e as zonas de instabilidade que hoje causam preocupações na Europa, principalmente no leste do continente, nas regiões de tensão entre a Ucrânia e a Rússia. Já a Primeira Guerra Mundial, ao permitir a criação da diplomacia multilateral durante as negociações de paz, foi lembrada para melhor esclarecer a posição de países que hoje apostam no multilateralismo, como o Brasil.

Pergunta: Qual dos dois eventos o senhor acredita que tenha mais impacto nos processos de tomada de decisão no mundo de hoje?

Resposta: Depende do momento para o qual se olha nas últimas décadas. Durante a Guerra Fria, apesar da bipolaridade evidente, a noção de equilíbrio de poder encontrava-se no coração das tensões pelo mundo, fazendo uma referência a um dos princípios basilares de Viena. Já na última década, sobretudo com a experiência de grupos como o G-20 ou os BRICS e suas demandas por reforma do sistema multilateral, uma referência ao multilateralismo criado logo após a Primeira Guerra nos ajuda a entender as estratégias e as possibilidades de sucesso das demandas dos países emergentes hoje, como eram os Estados Unidos ou o Japão de então.

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