A Índia na Ordem Global

A coleção de bolso da FGV, “Entenda o Mundo”, recebe mais uma obra: “A Índia na Ordem Global”, do professor Oliver Stuenkel. O livro traz importantes debates sobre o país, como sua democracia, política externa, inserção global por meio de valiosas contribuições dos maiores pensadores da Índia: Jawaharlal Nehru, C. Raja Mohan, Gurcharan Das, Ashutosh Varshney e Shivshankar Menon. Convidamos o professor Stuenkel a comentar algumas questões contemporâneas sobre a Índia, a partir da ótica de seu novo livro.

 

Frente à nova ordem global, qual o papel da Índia no equilíbrio de poder na Ásia? Pensando nessa ordem multilateral e em novos blocos nos quais a Índia se insere, como BRICS e IBAS, como a Índia fomenta essas iniciativas?

Diferentemente do Brasil, a Índia encontra-se em um contexto regional altamente complexo. Tensões geopolíticas e conflitos fronteiriços no seu entorno geram uma sensação de insegurança que afeta a visão de mundo da Índia de uma maneira profunda. Como consequência, a Índia é hoje o maior importador de armas do mundo – incluindo armas nucleares – e a maior parte de seus pesquisadores de Relações Internacionais estudam questões de segurança regional, como a relação com o Paquistão, instabilidade política no Afeganistão e o conflito fronteiriço com a China. Nesse contexto, instituições como o grupo BRICS servem como plataformas importantes para fortalecer a comunicação entre a Índia e a China, dois países que dominarão a situação geopolítica na Ásia nas próximas décadas.

Na reunião 69ª reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, foi debatida uma nova resolução quanto ao avanço da eliminação de armas nucleares no âmbito global. A Índia, bem como a Coréia do Norte e Israel, entre outros, votaram contra essa resolução. Que impacto esse fato ocasiona na manutenção da segurança internacional?

Para a Índia, armas nucleares são uma moeda internacional de força e poder. Na perspectiva do país, a posse de armas nucleares é, portanto, um requisito para o status de grande potência. O ceticismo indiano em relação ao TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear) e a qualquer tentativa de limitar sua capacidade nuclear é fundamentalmente atado à convicção de que armas nucleares são cruciais para o status de grande potência, de que a Índia quer ser uma grande potência e de que os Estados nuclearmente armados têm a intenção de evitar que a Índia mantenha esse status. Além disso, a Índia acredita que a Rússia e os Estados Unidos precisam demonstrar um compromisso sério com a redução de armamentos nucleares antes que países com um menor número de armas precisem participar desse processo. Não há um consenso sobre o impacto dessa posição, pois os analistas divergem sobre como armas nucleares em geral afetam a manutenção da segurança internacional.

Quais são os principais desafios que a Índia enfrenta em termos de política externa atualmente? E quais seriam, então, as principais estratégias desenvolvidas a fim de sobrepor esses desafios?

O desafio-chave nesse contexto é como a Índia pode, apesar dos desafios acima mencionados, articular uma visão regional e defender seus interesses nacionais, sobretudo considerando que o elemento mais marcante na região hoje é a ascensão chinesa e sua ambição, cada vez mais visível, de assumir a liderança regional. Uma resposta da Índia tem sido manter laços mais estreitos com países como Japão e Estados Unidos para balancear a ascensão chinesa. 

 

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