25 Anos da queda do Muro de Berlim

Vinte e cinco anos se passaram desde um dos marcos históricos mais importantes da Guerra Fria: a queda do Muro de Berlim. O fato simbolizou uma virada no sistema internacional, marcado pela bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética desde o final dos anos 1940. O professor Alexandre Moreli, coordenador do Centro de Relações Internacionais, comenta nesse Pocket Talks os reflexos desse simbólico momento sobre a atualidade.

 

Como era olhar para o fim da Guerra Fria a partir do Brasil?

 O início dos anos 90 criou uma oportunidade para pequenas e médias potências dentro do sistema multilateral, que até então se mantinha congelado, de projetar poder e exercer influência nas relações internacionais. No caso brasileiro, é preciso lembrar, entretanto, que o país passava por um processo de transição muito complexo internamente: seis dias após a queda do Muro, os brasileiros estavam votando pela primeira vez, em quase 30 anos, para presidente da República, além de terem que lidar com uma inflação de 2.000% ao ano. Esse cenário interno impediu que o país aproveitasse mais intensamente as oportunidades criadas pela queda do Muro de Berlim.

 

Analisando o fim da Guerra Fria hoje, a queda do bloco soviético parece evidente. Por que ninguém a previu na época?

 Essa é uma crítica que pode ser feita muitas vezes quando analisamos importantes acontecimentos históricos: ao olhar a partir de fora do contexto e do momento, parece haver sempre uma cadeia de acontecimentos que leva inevitavelmente ao fato verificado. Temos a percepção hoje de que a queda da União Soviética era a consequência lógica de uma linha causal clara. No meu entender, entretanto, um olhar fragmentado das Ciências Humanas sobre a URSS e certo conservadorismo intelectual, ambos à época, fortaleciam a crença de que as reformas de Gorbatchev dariam nova vida à União Soviética. Além disso, existem outros fatores mais imediatos e, de fato, dificilmente previsíveis como, por exemplo, foi o “11 de Setembro” para os Estados Unidos, que bloqueiam ou aceleram processos já em andamento. A queda do Muro de Berlim, para o fim da União Soviética, pode ser lida nesse sentido.

 

O ex-líder soviético Gorbatchev disse, recentemente, que rumamos em direção a uma nova Guerra Fria. Essa leitura da conjuntura atual é pertinente?

 Mesmo no caso da Ucrânia e de outros países vizinhos à Rússia, onde há, de fato, tensões militares hoje, existe uma proximidade e uma relação com o Ocidente que seria inimaginável na época da Guerra Fria. O que Moscou parece estar fazendo hoje é somente retardar o aprofundamento inevitável dessas relações entre regiões e sociedades que, antes, pertenciam a zonas de influência distintas. Nesse sentido, é difícil pensar em uma nova Guerra Fria no horizonte, mesmo que esse processo conheça crises pontuais.

 

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Editorial

Data: 
13/11/2014
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