Debate com Eliezer Batista
FGV, Auditório (12º Andar) - Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - 26/09/2011 - 18:30 - 20:30

Debate com Eliezer Batista e exbição de documentário

O MBA em Relações Internacionais da FGV convida para debate com Eliezer Batista. Antes do debate, haverá a exibição do documentário Eliezer, o Engenheiro do Brasil (2009), dirigido por Victor Lopes.

Eliezer Batista é ex-presidente da Vale, ex-ministro das Minas e Energia (Governo João Goulart) e Assuntos Estratégicos (Governo Fernando Collor).

Resumo:

Ex-presidente da Vale, ex-ministro de Minas e Energia (governo João Goulart) e de Assuntos Estratégicos (Fernando Collor), Eliezer Batista é um nomes mais expressivos na construção do modelo desenvolvimentista do Brasil. Homenageado pelo Centro de Relações Internacionais da FGV, com a exibição no dia 26 de setembro de documentário sobre sua vida – “Eliezer Batista, o Engenheiro do Brasil”, do cineasta Victor Lopes – ele debateu suas idéias com um auditório lotado e afirmou que a prioridade para o país neste momento deveria ser investir em educação e inovação, para romper o ciclo de dependência com relação às commodities: “Nenhum país se desenvolve só com matérias-primas e nesse sentido estamos menos desenvolvidos hoje do que no passado”.

“O encontro com Eliezer Batista faz parte de um ciclo de debates sobre relações internacionais e desenvolvimento, que nos últimos dois meses trouxe à FGV outras personalidades de destaque, como o embaixador e ex-ministro Rubens Ricupero, o presidente da Embraer Europa, Luiz Fuchs e o professor Luiz Werneck Vianna”, disse o professor Maurício Santoro, que mediou a discussão: “Eliezer é uma figura-chave na transformação da Vale de uma pequena empresa de mineração num ator global nesse mercado, e uma referência em comércio exterior, logística e desenvolvimento sustentável.”

A Trajetória na Vale

O evento começou com a exibição do documentário de Lopes, que conta com diversos depoimentos do próprio Eliezer, de sua família, amigos e colaboradores. Ele nasceu na pequena cidade de Nova Era, Minas Gerais, em 1929. Estudou engenharia em Curitiba e cursou pós-graduação na Alemanha, onde conheceu Jutta, com quem se casou e teve sete filhos. Começou a carreira como engenheiro de ferrovias e ascendeu rapidamente na Vale, tornando-se seu presidente. Apostou na contrução de infraaestrutura – estradas de ferros, portos modernos e enormes navios, com mais do que o dobro da tonelagem usual – para que a empresa pudesse exportar minério ao promissor mercado do Japão, competindo com os rivais da Austrália, bem mais próxima. Ao retornar ao Brasil, os cargueiros da companhia traziam petróleo dos países do Golfo Pérsico, garantindo a rentabilidade econômica das longas viagens.

Com o golpe de 1964, foi demitido da Vale, porque os militares desconfiavam de sua proximidade com Goulart, de quem tinha sido ministro das Minas e Energia e consideravam-no comunista por causa de suas preocupações sociais com os operários. Passou algum tempo trabalhando no setor privado, mas voltou à Vale para reorganizar as filiais internacionais da empresa, nos Estados Unidos e em diversos países da Europa. Voltou ao Brasil no fim do período autoritário, convocado pelo presidente João Figueiredo para organizar a exploração de Carajás, a recém-descoberta província mineral no Pará, a maior do mundo. Foi preciso construir uma cidade no local, e uma ferrovia ligando-a ao litoral. Mais tarde como ministro de Collor, ele lançou as bases para a integração da infraestrutura energética na América do Sul, observando que suas debilidades eram um importante gargalo para a aproximação entre os países da região.

Aposentou-se da Vale após a privatização da empresa por Fernando Henrique Cardoso – operação que ele nunca aprovou. Mas aceitou o pedido do presidente para que pensasse projetos para a revitalização econômica do Rio de Janeiro, e daí surgiram idéias como o porto de Sepetiba e o arco rodoviário metropolitano. Ele continua a trabalhar como consultor da Federação de Indústrias do Rio de Janeiro, além de ser membro do conselho administrativo de diversas empresas.

Educação e Inovação

Após a exibição do filme, Eliezer Batista fez uma palestra na qual ressaltou que o Brasil necessita se espelhar no exemplo da Coréia do Sul e investir em educação voltada para inovação, sobretudo em ciências exatas, buscando a integração entre universidades e empresas: “Nada contra as humanidades e as ciências sociais – eu mesmo estudei música – mas precisamos de engenheiros.” Ele observou que o crescimento econômico do país nos últimos anos, simultâneo à crise nos países desenvolvidos, tem levado à emigração de profissionais qualificados da Europa para cá, em especial da Espanha e de Portugal, que podem dar contribuições importantes em setores como mineração e indústria naval.

Ele criticou algumas decisões governamentais que afetaram negativamente o desenvolvimento brasileiro: “Juscelino Kubitschek fez muitas coisas boas, mas também fez uma ruim, que foi a aposta nas rodovias em detrimento das ferrovias.” Ele se queixou ainda da burocracia relativa às licenças ambientais para grandes obras de infraestrutura, afirmando que ela enfatiza de modo exagerado a proteção do habitat de poucas espécies, sem levar em conta que em muitos casos elas podem migrar para regiões vizinhas.

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