Alzira Vargas do Amaral Peixoto

Sigla: AVAP

Dados Biográficos

Titular: Alzira Vargas do Amaral Peixoto

Filiação: Getúlio Dornelles Vargas e Darcy Sarmanho Vargas

Nascimento: 22/11/1914, São Borja, RIO GRANDE DO SUL, Brasil

Cônjuge: Ernâni do Amaral Peixoto

Falecimento: 26/1/1992, Rio de Janeiro, RIO DE JANEIRO, Brasil

Principais Atividades

  • Auxiliar de gabinete, Gabinete Civil da Presidência da República1937,1939
  • Presidente, Fundação Anchieta1940,1945
  • Membro, Comissão Nacional do Bem-Estar Social1951,1954
  • Membro de delegação, Conferência Internacional do Trabalho1952,1952
  • Presidente, Fundação Darcy Vargas1968,1992
  • Presidente, Casa do Pequeno Jornaleiro1968,1992

Outras Atividades

Além destas atividades, como primeira-dama do Estado do Rio de Janeiro, durante a interventoria de Ernani do Amaral Peixoto, d. Alzira foi responsável pela criação de algumas instituições, como a Escola de Enfermagem do RJ, e a Escola de Serviço Social, ambas hoje integradas à Universidade Federal Fluminense, e a Maternidade Divina Providência (Petrópolis, RJ). Durante o período da Segunda Guerra Mundial, exerceu cumulativamente a direção do Departamento Assistencial do Distrito Federal, da Legião Brasileira de Assistência no estado do Rio de Janeiro e das Voluntárias da Defesa Passiva (1942-1945). Em 1943, quando da licença de sua mãe, Darcy, exerceu interinamente a direção da LBA nacional, nela permanecendo até o ano seguinte. Já no Segundo Governo Vargas, Alzira Vargas do Amaral Peixoto integrou a delegação brasileira que participou da Conferência do Trabalho dos Estados Americanos (Petrópolis, RJ, 1952), voltando a exercer também a direção da LBA-RJ (1951-1955).
Na prática, independente dos cargos que formalmente ocupasse, Alzira Vargas do Amaral Peixoto atuou de início como secretária particular de seu pai, e, com o tempo, como seu confidente e informante. Isto lhe garantiu sempre amplo acesso entre os políticos, mesmo a alguns setores da oposição a Vargas. Foi ainda a autora do livro "Getúlio Vargas, meu pai".

Documentos Textuais

  • Manuscritos - 3277

Documentos Impressos

  • Livros - 83
  • Periódicos - 47
  • Exemplares de Periódicos - 76
  • Artigos de Periódicos - 74

Documentos Audiovisuais


  • Iconografia
    • álbum fotográfico - 10251
    • cartão postal - 55
  • Som
    • disco - 13

Histórico

Embora tenha sido doado na década de 1980, somente a partir do final de 2003 decidiu-se por sua organização, mesmo que de forma embrionária, já prevendo o aumento na demanda que o aniversário da morte de Vargas provocaria. Nesta oportunidade, chegou-se a identificar onze pastas de documentos. No ano seguinte, contudo o trabalho teve que ser interrompido, por conta do envolvimento da equipe com as duas exposições dedicadas a Vargas (Museu da República e Memorial Getúlio Vargas). Somente a partir de 2006 o trabalho de higienização, identificação e organização do arquivo pode ser retomado de forma eficaz.

Análise da Documentação

Com um número aproximado de 5 mil documentos, o Arquivo Alzira Vargas do Amaral Peixoto foi organizado em 4 séries: GETÚLIO VARGAS (dividida internamente nas subséries: Acervo Getúlio Vargas; Getúlio Vargas meu pai; e Homenagens); TRABALHO DE TERCEIROS (organizada segundo o autor); VIDA PRIVADA (organizada segundo as subséries: Assuntos Familiares; Assuntos Pessoais; Correspondência Pessoal; Documentação Pessoal; Escritos Avulsos; e Membros da Família); e VIDA PÚBLICA (dividida nas subséries: Correspondência Geral; Exílio; Gabinete Civil; Estado do Rio de Janeiro; Fundação Darcy Vargas; Legião Brasileira de Assistência; Segundo Governo; Tempos de JK; Regime Militar; e Fundação Getúlio Vargas). Estes documentos formam um conjunto de extrema importância para o pesquisador interessado na história contemporânea do país, principalmente por ser sua titular filha daquele que governou o país por praticamente 20 anos, e pelo fato de haver freqüentado, com bom trânsito, os bastidores da política. Além disso, muitos destes documentos vêm complementar os que se encontram em dois outros arquivos de grande expressão: o do próprio Getúlio Vargas, e o de Ernani do Amaral Peixoto, seu marido, a quem acompanhou ao longo de praticamente 50 anos.

Mas não apenas da memória de Vargas tratam os documentos. Alzira, reconhecida gestora da memória familiar, acumulou também documentos que retratam sua própria trajetória. Encontramos assim registrada sua atuação desde o início de seu envolvimento com a política, quando auxiliar do Gabinete Civil da Presidência da República, passando aos períodos em que exerceu as funções de primeira dama fluminense (1939-1945; 1951-1955), e simultaneamente como auxiliar e mais tarde sucessora de d. Darcy Vargas frente à Casa do Pequeno Jornaleiro/Fundação Darcy Vargas, e à Legião Brasileira de Assistência, quando rompe com o papel até então destinado à mulher na sociedade brasileira, em especial a filha/esposa de políticos. Neste sentido, não são poucos os registros que trazem à tona sua sensibilidade para com o menor abandonado ou desfavorecido, traduzida não apenas em sua dedicação à Casa do Pequeno Jornaleiro, mas também por sua participação junto à Comissão do Bem-Estar Social e nos congressos sobre trabalho realizados no Segundo Governo Vargas.

Também não são poucos os documentos de seu arquivo pessoal que deixam clara a independência e pendor político de Alzira Vargas do Amaral Peixoto, tal como ocorre na correspondência mantida por ela com Getúlio, durante o “exilo” de seu pai em São Borja (RS), após ser deposto. Trocadas em alguns momentos com frequência quase diária, estas cartas reforçam a importância do papel de Alzira não apenas como filha, mas principalmente como a interlocutora segura e atenta que o ex-presidente necessitava; a informante detalhada dos passos dos correligionários petebistas e dos principais atores políticos de então, parceiros políticos ou não.

Vale ressaltar também a correspondência de d. Alzira com os historiadores, brasileiros ou não, que freqüentavam sua casa pesquisando os documentos do Arquivo Vargas, e que de certo modo contribuíram para a formação do CPDOC/FGV.

O material impresso compreende documentos que traduzem o esforço da titular do arquivo em manter viva a memória do pai, assim como sua versão para os acontecimentos que levaram ao suicídio de Getúlio em agosto de 1954 (entrevistas da própria Alzira a periódicos nacionais sobre a crise de 1954, e depoimentos de terceiros). Mas deve-se destacar também trabalhos sobre a Revolução de 1930; as realizações do governo Getúlio Vargas durante o 1º e 2º governos; cultura e política nacional do período; a figura política do ex-presidente, além de discursos, biografias, entrevistas do próprio Getúlio.